Os Videos do King_leer, Outono 2016

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

TIM BURGESS SOBRE "MISBEGOTTEN", 2008 E A CRISE GLOBAL!

Viva, novamente.

Espero que todos tenham tido um Natal 5 estrelas. Na semana passada coloquei ao Tim algumas questões. É um personagem muito simpático e bastante “ low-profile”, continuamente cimentando o seu caminho nesta denominada indústria musical ou o que lhe quiserem chamar. Conheci o Tim em Fevereiro último em Lisboa num concerto dos Charlatans. Esperto e tenho a certeza que ele vai continuar desta forma e, assim, aqui fica um breve diálogo entre dois rapazes da mesma geração.

Obrigado Tim e tudo de bom!



King_leer (KL) : Qual a mensagem que nos queres transmitir em "The Misbegotten"?


Tim Burguess (TB) : Hmm… escrevi um par de histórias/conjunto de letras e depois utilizei a técnica de “corte” usada pelo David Bowie e por William Burroughs. Assim, literalmente, cortei as histórias linha por linha e depois tirei-as de um chapéu para ver se algo interessante e novo saía dali. A primeira linha que me saíu foi “if you don’t have the guts”, o que eu achei que era uma magnífica e ameaçadora frase para iniciar a música.

(KL) : "Then I found two girls in matching bathing suits...". Olhando para a capa do single, são estas as raparigas com bikinis a condizer? Qual a razão para esta capa?

(TB) : Bem, a frase foi retirada de uma história da Diane Arbus que eu estava a escrever. Ela fez uma fotografia bem famosa chamada 'two girls in matching bathing suits' (penso que podes usar o google e ver). Eu adorei a imagem e usei-a como inspiração para a capa! Issie and Mikyla são amigas minhas e pertencem a um aglomerado de Dj’s denominado 'the she-set'.

(KL) : Comenta 2008 em relação à música. Quais foram os teus favoritos e as tuas desilusões do ano?


(TB) : O meu disco preferido foi o da Ladyhawke a milhas de distância de outros.


Agora, sobre a sociedade:


(KL) : Para ti, residente nos EUA, diz-nos o que está a mudar após as recentes eleições presidenciais?

(TB) : Existe uma nova esperança relançada para uma melhor América. Não hà dúvida que ele tem muito provavelmente o mais duro trabalho como presidente na história da América.

(KL) : A crise global e não só finançeira: Quem são os responsáveis e qual a tua opinião pessoal e o que pensas deverá ser feito para minimizar o seu efeito?


(TB) : As pessoas ficaram gananciosas, pessoas que ganham anualmente $30,000 guiam carros de $90,000 e vivem em casas de $400,000.
O Mundo tem vivido de crédito não lendo as letras minúsculas e agora estamos a pagar por isso… A culpa é de todos. Desde o poderoso banqueiro por nos encorajar a viver desta forma até ao homem da rua (homem comum) por caír na tentação.


Para minimizar o efeito, “fuck knows”… temos é que nos ver livres disto.




FIM


sábado, 27 de dezembro de 2008

JAKE FIOR, PRODUTOR, SOBRE A SUA ARTE E O ÁLBUM A SOLO DE PETE DOHERTY.












PARTE II


(KL):

Sempre chegaste a ser manager dos Babyshambles durante o Verão depois do anterior produtor ter sido “despedido”? Continuas com eles?

(JF):

Eu nunca fui manager dos Babyshambles. No entanto, fui manager do Pete, por um breve período, nomeadamente em relação ao álbum a solo e a alguns concertos do Pete a solo. Foi sempre um papel temporário e orientar a vida diária do Pete é quase impossível, a não ser que estejas preparado para a viver a tempo inteiro – o que não era o meu caso. É igualmente um processo não muito usual numa dinâmica de um processo criativo. Penso que não ajudou muito.

(KL):

Esta, vou ter mesmo que perguntar visto ter estado envolvido neste quase projecto secreto. Era suposto teres produzido e gravado o disco de estreia a solo do Pete. Fizeste sessões, algumas delas chegaram ao YouTube e mais, era suposto a gravação final ser feita aqui em Portugal, no Norte do nosso País (É esta a parte onde apareço a teu pedido) e, de repente, a produção passa para o ex-produtor dos Smiths e do último álbum dos “Shambles” - Stephen Street. O que correu mal e como este processo foi conduzido até esse ponto?


(JF):

O problema tem início quando a imprensa começa a criar muita pressão sobre o projecto do Pete a solo. É, por vezes difícil imaginar como os media têm tanto interesse em estar no dia-a-dia da vida dele.

Por exemplo, uma câmera no estúdio resulta num vídeo do Youtube que acaba por se tornar num história para o N.M.E. (New Musical Express) e daí numa reportagem de primeira página num tablóide Inglês!

Algumas pessoas parece que ficaram com a ideia de que pelo facto do Pete estar a gravar a solo, sem os outros membros dos Babyshambles , que estes se iram separar. Isto foi penas invenção da imprensa. Estamos rodeados de projectos idênticos, como o caso do Alex Turner e verificamos que tal não afectou os Artic Monkeys.

A ideia de gravar em Portugal veio mesmo do Pete e uma das razões foi criar um ambiente calmo e gravar algumas canções que não assentariam naturalmente no reportório dos “Sambles”.

Eu estava ansioso por ir para Portugal para assim afastar estas pressões e como o mar iria ser uma influência no som/ambiente que se desejava para o disco, pareceu-me uma excelente ideia faze-lo num País com uma belíssima brisa marítima (Jake viveu um par de anos quando criança em Lisboa com o Pai).

As faixas que trabalhamos juntos ficaram bem e foi-me transmitido que algumas foram novamente gravadas, ficando no entanto alguns elementos do meu trabalho nelas.

A razão porque não completei o projecto com o Peter foi porque ele quis chamar a ele o controlo do projecto e usar a mesma equipe que produziu o “Shotter’s Nation”. É, apesar de tudo o projecto dele e desde que o meu trabalho seja reconhecido e creditado não tenho qualquer problema com isso.

(KL):

Quais são os teus próximos projectos?


(JF):

Estou a acabar de misturar algumas faixas que tenho. Posso e espero incluí-las no meu primeiro álbum que deve sair algures durante 2009 com uma grande variedade de artistas convidados.

Estou igualmente a voltar ao estúdio com os “Thirst” para começar a gravar o seu próximo single.

(KL):

Por fim e, fugindo ao panorama musical, qual é a tua opinião sobre a actual crise económica Mundial e estes últimos acontecimentos na Índia?

(JF):

A crise económica mundial foi criada pela ganância e pensamento curto. É de loucos, oferecer empréstimos “caros” às pessoas na sociedade com menos hipóteses de os pagar e esperar um resultado diferente do que estamos agora a presenciar.

Os assasinatos brutais na India são deprimentes no seu extremo e eu apenas posso oferecer a minha profunda simpatia a todos os que com eles foram directamente afectados.

(KL):

Jake, tudo de bom para ti, obrigado pelo teu tempo e espero ver-te em Portugal brevemente com outro projecto. Cá estaremos para ajudar.

FIM

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

JAKE FIOR, PRODUTOR, SOBRE A SUA ARTE E O ÁLBUM A SOLO DE PETE DOHERTY.

Viva,

Depois do ultimo “post” e alguns dias de folga, vamos então continuar com este capítulo. Com “For Lovers”, vimos uma forma diferente sobre criar/adaptar uma música. Foi aliás com este tema que o trabalho do Jake despertou a minha atenção e me levou a estabelecer contacto com ele. Após isso temos falado e, achei que era agora uma boa altura para o questionar sobre o trabalho dele (tipo tutorial) e o trabalho com o Pete Doherty, nomeadamente no álbum a solo, projecto que ele conduziu até à bem pouco tempo mas, acabou por ficar entregue a Stephen Street. Será lançado em princípio nos primeiros meses de 2009.


Vamos então “escutar” as palavras do Jake (recolhidas a 1 de Dezembro):







PARTE I




King_leer (KL):

Como se deu esta transformação no tema “For Lovers”? A autoria da letra é tua ou do Wolfman (a música, pelo menos os novos arranjos são teus, isso eu sei)?

Jake Fior (JF):

“For Lovers” foi escrita pelo Wolfman já à algum tempo. Pete Doherty reescreveu a letra “I paid the penalty, heard the jailer rattling the key. But the key was mine, I keep a spare one every time”.
Eu, reescrevi parte da instrumentação e da estrutura e o sentimento global da canção é da minha autoria. No entanto, houve colaboração de outros músicos que tocaram igualmente nesta música.

(KL):

Por palavras tuas, descreve-me o que é ser um produtor musical actualmente?

(JF):

Aparentemente existem 2 tipos diferentes de produtores de discos actualmente mas, talvez tenha sido sempre assim, sabes? A aproximação mais técnica é trabalhar desde uma tenra idade num estúdio como assistente e de assistente passar a Engenheiro assistente e daí para o papel de Engenheiro principal e por fim, eventualmente escolhes passar a produtor. O outro caminho é trabalhar com um Engenheiro experimentado desde o início, e concentrares-te no processo criativo e na estrutura.

Mas, de qualquer das maneiras, o mais importante é o resultado final.

Eu estou na segunda categoria mas passei muito tempo a tocar e escrever em bandas, por isso desenvolvi a habilidade para esta função, é portanto um processo bastante longo e que envolve outro tipo de disciplina. Ser um produtor requer que acredites na tua visão e teres a certeza de que a abordagem que fazes a uma música é a correcta.

É igualmente uma questão de confiança, por exemplo, eu pessoalmente gostei bastante de algum do trabalho do Mick Jones (ex-Clash) com os Libertines mas não entendi porque ele decidiu usar uma aproximação quase “ao vivo” na gravação quando ouvi os álbuns.

Não penso, agora, que uma produção muito “polida” tenha resultado melhor de todo. Inclusive, acho que algumas das decisões dele foram bravas e interessantes.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

JAKE FIOR, PRODUTOR. A SUA ACTIVIDADE E O ÁLBUM A SOLO DO PETE DOHERTY !

Boas,

Após o post sobre o trabalho de Jake no tema "For Lovers" interpretado pelo Pete Doherty, é tempo de publicar a troca de palavras que tivemos:

Para já, podem ver no link da versão Inglesa do Blog. Num par de dias a tradução estará aqui à vossa disposição.

http://diazepam05-english.blogspot.com/

Obrigado


KL

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

"For Lovers" - Uma história verdadeira !









"For Lovers"



Para lançamento da minha conversa com Jake Fior, o produtor, sobre a sua arte e as suas experiências com Pete Doherty desde este tema "For Lovers", até ao album de estreia a solo do
Ex-Libertines na qual ele assumiu até à bem pouco tempo o papel de produtor. Já tinha feito uma abordagem deste género no programa "Porto Alive" do Porto Canal durante a minha passagem por lá. Parece-me interessante e agora funciona melhor pois vão poder chegar ao onde eu pretendo.
Wolfman escreveu este tema, à uns anos atrás (ouçam a primeira música do player, é o original interpretado por Wolfman numa gravação cedida pelo Jake Fior). Entretanto Pete e Jake deram-lhe nova "roupagem". Pete re-escreveu parte do texto, adicionando 'I paid the penalty,heard the jailer rattling the key. But the key was mine,I keep a spare one every time'. Jake por seu lado re-escreveu a parte instrumental e a estrutura da canção. Mais alguns músicos colaboraram tocando nesta faixa.

Assim, chegamos ao resultado final que podem ver no video abaixo. Para mim um dos melhores momentos de Pete como intérprete.

Fiquem atentos aos próximo post onde irei "conversar" com o Jake e falar abertamente sobre a sua arte e o projecto do álbum a solo de Pete Doherty e outros assuntos da actualidade.

Até lá!
KL



video

K.O.L - "HISTÓRIAS DO ÁLBUM" # 4 ANGELO PETRAGLIA, O PRODUTOR, O AMIGO, A FAMÍLIA…E O WALL-BALL NOVAMENTE!












A
ngelo Petraglia e o seu trabalho são o meu último “post” sobre o que esteve “por trás” deste excelente álbum. Ângelo é quase familia – como ele afirma – foi ele, inclusivé que ajudou Jared a comprar a sua primeira guitarra baixo ainda este dava os primeiros passos. Podemos vê-lo durante uma das sessões e testemunhar alguma da tensão vivida no vídeo abaixo (um dos 23 KOL Home Movies). Este teve lugar durante a sessão de gravação do tema “Notion” e no decorrer das declarações do Ângelo poderão ver como tudo acabou.


video



King_leer (KL) : Estás com os KOL desde o início. Tenho a capa de "Only by the Night" aberta à minha frente. Posso verificar uma grande mudança no clã Followill, nomeadamente quanto à imagem. Esta foi uma mudança do produtor/managers ou da própria banda ? O que mais mudou nos KOL desde o início?

Angelo Petraglia (AP) : As mudanças que vês nos KOL no que toca à imagem é tudo proveniente da banda seja colectiva ou individualmente.

Provavelmente o que mais mudou foi a sua arte de fazer música, a sua qualidade aumentou. Eles percorreram um longo caminho no que concerne às suas habilidades, muitas horas na estrada. Quando conheci o Jared ele nem sequer tinha começado a tocar baixo. Por falar nisso, eu fui com ele comprar o seu primeiro baixo. Agora, ele é um dos meus baixistas preferidos.

KL : Esta questão, coloquei a todos os que contribuiram para esta peça. Por palavras tuas e para os leitores melhor entenderem, em que consiste a produção de um disco como este?

AP : Bem, por esta ordem, é necessário:

1º - Uma grande banda-


2º - Grandes canções e arranjos.


3º - Um excelente estudio e equipamento e,


4º - Criar um excelente ambiente e ter uma visão comum (não esqueçer um excelente (a kickass !!!) jogo de wall-ball.

KL : Na minha opinião existe uma grande evolução, começando desde "Because of The Times" e acabando nesta excelente obra. Qual foi o segredo?

AP : Não há segredo. Acredito apenas que os KOL são uma grande banda (a killer band) e estão sempre em constante evolução, não tendo receio em experimentar novas ideias e direcções.


KL : Como o produtor, habitualmente é mais do que isso, diz-me qual é a maior qualidade dos Followill e o que menos gostas neles, até porque passas temporadas na sua companhia.

AP : Ora, eu conheço o Nathan e o Caleb ainda antes da banda começar. Para mim, KOL são como família. Sinto-me como o irmão mais velho. Aquilo que mais admire neles é o facto de trazerem a família para a “mesa”. Sentes isso na forma como tocam, escrevem, cantam, actuam e como se divertem. Aquilo que mais detesto neles é o facto de na maioria das vezes parecerem ter razão.

(KL) : Eu mencionei o episódio passado na sessão de gravação do tema “Notion” Podes dizer-nos como tudo acabou? Pareceu-me bastante intenso. Como lidaste com a situação e com o Caleb?

AP : Oh, acabou tudo bem. Ele compreendeu que tinha bebido um pouco demais e assim voltou no dia seguinte e foi simplesmente perfeito! Acho que deixamos logo tudo para trás e continuamos a diversão.


Links : Vejam e ouçam a banda do Ângelo, os "Jane Shermans".


http://www.myspace.com/thejaneshermans




FIM